AUTORIDADE, MERCADO E PARCERIAS
Da APAS Show 2026 à loja: o que bons parceiros mudam em um projeto
A visita da Olivato à 40ª edição da feira reforçou uma ideia simples: gôndolas, refrigeração, carrinhos, climatização e equipamentos de operação precisam funcionar como um único sistema.
Publicação prevista: setembro de 2026 | Por Gilson Olivato
| Em uma frase: a APAS foi trabalho de campo para ampliar repertório técnico, fortalecer relações com fabricantes e transformar opções de mercado em decisões mais coerentes para cada loja. |
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Uma loja pode reunir bons equipamentos e, ainda assim, funcionar mal. Um expositor refrigerado interfere na carga elétrica, na reposição e na circulação. O tamanho do carrinho muda a largura útil dos corredores e a dinâmica do checkout. A área de açougue depende de máquinas, bancadas, refrigeração, higienização e fluxo de trabalho planejados em conjunto. Quando cada item é comprado como uma decisão isolada, as incompatibilidades costumam aparecer na entrega, na instalação ou na rotina da equipe.
Foi com esse olhar que a Olivato visitou a APAS Show 2026, realizada de 18 a 21 de maio no Expo Center Norte, em São Paulo. O objetivo não era voltar com uma coleção de catálogos. A agenda foi dedicada a conhecer novos contatos, reencontrar empresas com as quais já existia relacionamento e observar como diferentes soluções podem ser combinadas em projetos de lojas, mercados e operações de varejo alimentar.
A APAS como campo de comparação, não como vitrine de novidades
A edição de 2026 marcou os 40 anos do evento. Segundo o balanço oficial, a feira reuniu 900 expositores, incluindo 250 internacionais de 24 países, e recebeu 78.956 visitantes únicos. Essa escala importa porque permite observar, no mesmo ambiente, soluções para a frente de loja, áreas de produção, armazenagem, refrigeração, conforto térmico, atendimento e movimentação de mercadorias.
Uma ficha técnica informa medidas, capacidade e acabamento. A conversa com o fabricante abre outras perguntas: como o equipamento chega ao local, quais condições de instalação exige, que assistência existe depois da compra, como ocorre a reposição de componentes e até onde uma configuração pode ser ajustada ao espaço. Para quem monta uma loja, essas respostas pesam tanto quanto o produto que aparece no estande.
Esse trabalho é coerente com o modelo da Olivato: atendimento direto, leitura da operação e fornecimento articulado com fabricantes e parceiros. A feira encurta a distância entre quem desenvolve o equipamento e quem precisa fazer o conjunto funcionar na loja real. O ganho não está em ter o maior número de marcas; está em ter alternativas pertinentes e saber filtrá-las.
Sete contatos, quatro frentes de um mesmo projeto
A agenda da Olivato incluiu Interfrio, Polofrio, Lions Carrinhos, Grupo Cristal Aço, Rotoplast, Gural e Fricon. Alguns encontros retomaram relações existentes; outros abriram novas conversas. Em vez de apresentar essas empresas como uma lista de logotipos, vale entender o papel que cada frente ocupa dentro de uma operação.
1. Refrigeração comercial: conservar, expor e permitir a operação
Interfrio, Polofrio e Fricon atuam em refrigeração comercial. Seus portfólios incluem diferentes configurações para exposição e conservação de resfriados, congelados, bebidas, laticínios, carnes e outras categorias do varejo alimentar. Ter contato com mais de um fabricante nessa frente não significa colocar marcas em disputa dentro do projeto. Significa ampliar a capacidade de especificar conforme a necessidade.
Um expositor vertical, uma ilha para congelados, um balcão refrigerado e um conservador horizontal cumprem funções diferentes. A escolha começa pelo produto e pela temperatura, mas passa por volume, giro, forma de abastecimento, abertura de portas, visibilidade, consumo, ventilação, acesso para manutenção e posição no layout. O equipamento pode conservar corretamente e ainda assim estar mal localizado; pode caber no espaço e não atender à capacidade da operação.
Por isso, a refrigeração precisa entrar no projeto antes de o salão estar fechado. Ela afeta pontos elétricos, circulação, calor no ambiente, drenagem em determinadas instalações e o caminho usado pela equipe para repor mercadorias. O diálogo com fabricantes ajuda a transformar essas variáveis em uma especificação mais responsável.
2. Exposição, checkout e circulação: o cliente precisa conseguir usar a loja
O Grupo Cristal Aço fabrica estruturas como gôndolas, checkouts, expositores e sistemas de armazenagem. A Lions Carrinhos atua com modelos destinados à compra, ao atacado, ao abastecimento e à movimentação. Essas duas frentes se encontram no corredor: estrutura e mobilidade precisam compartilhar o mesmo espaço sem criar gargalos.
A escolha do carrinho não é um detalhe deixado para a inauguração. Um modelo compacto, um carrinho de maior capacidade e uma solução para abastecimento produzem exigências distintas de manobra, estacionamento e passagem. Da mesma forma, profundidade de gôndola, ponta de corredor, ilhas promocionais e desenho do checkout alteram o percurso. O layout deve ser testado com o equipamento e com o movimento que de fato acontecerá ali.
Quando exposição e circulação são pensadas separadamente, a loja paga duas vezes: perde área útil em pontos errados e cria esforço desnecessário para clientes e equipe. Quando são coordenadas, cada metro passa a ter uma função mais clara — apresentar produto, permitir comparação, sustentar reposição ou conduzir o atendimento.
3. Açougue, frios e preparação: a retaguarda também define a experiência
A Gural fabrica balanças e etiquetadoras, cortadores de frios, moedores de carne e serras-fita, entre outros equipamentos para operações de alimentos. É uma camada que raramente aparece na fotografia geral da loja, mas interfere diretamente na produtividade, na padronização e no atendimento de setores como açougue e frios.
Essas máquinas exigem planejamento de bancada, alimentação elétrica, área de trabalho, acesso para limpeza, posição do operador e fluxo entre recebimento, preparação, pesagem, embalagem e exposição. Escolher o modelo depois de a área estar pronta limita alternativas e pode gerar adaptação. O caminho mais seguro é dimensionar a operação primeiro e deixar que o equipamento confirme o layout — não o contrário.
4. Conforto térmico: climatização não é refrigeração de alimentos
A Rotoplast trabalha com climatização evaporativa para ambientes comerciais e industriais. Essa frente não deve ser confundida com a conservação de produtos. Seu papel está no conforto térmico e na movimentação ou renovação do ar, quando as características do imóvel e do clima tornam a solução adequada.
Em uma loja, a decisão depende de aberturas, umidade, pé-direito, ocupação, fontes de calor, áreas de manipulação e posição dos equipamentos. Também precisa conversar com a refrigeração comercial: melhorar a sensação térmica sem avaliar o conjunto pode deslocar o problema em vez de resolvê-lo. Aqui, novamente, a presença do fabricante na análise técnica é mais relevante do que uma promessa genérica de desempenho.
O que as tendências da APAS significam no chão da loja
A programação de 2026 discutiu inovação, eficiência, sustentabilidade, comportamento do consumidor e experiência no ponto de venda. Esses temas parecem amplos até serem traduzidos em decisões físicas. Experiência, por exemplo, é o cliente encontrar a categoria, circular sem obstáculos, comparar produtos e concluir a compra sem uma fila mal dimensionada. Eficiência é a equipe abastecer a área de vendas sem cruzar toda a jornada do consumidor.
Sustentabilidade também não se resolve com um selo isolado. Ela exige olhar para consumo de energia, vida útil, manutenção, disponibilidade de peças e possibilidade de reaproveitar ou reconfigurar estruturas. Tecnologia, por sua vez, precisa de energia, dados, suporte e processo. Se o projeto não reservar infraestrutura e espaço para operá-la, a novidade chega antes da loja estar preparada.
O congresso da edição adotou o tema “Coração supermercadista: paixão que transforma o varejo”, com ênfase no fator humano. No ambiente físico, esse fator começa em escolhas menos vistosas: alcance adequado, posto de trabalho coerente, manutenção possível, circulação clara e equipamento que não obrigue a equipe a compensar todos os dias um erro cometido na fase de compra.
Uma parceria só é valiosa quando melhora a decisão
Feiras aproximam empresas. Projetos exigem filtro. Antes de indicar uma solução, é preciso verificar se o produto responde à operação que será montada e se o fabricante consegue sustentar a entrega depois da venda. Na prática, o relacionamento precisa ajudar a responder cinco perguntas:
- o equipamento atende ao mix, ao volume e à rotina previstos para aquela loja?
- dimensões, energia, ventilação, drenagem, acessos e circulação são compatíveis com o imóvel?
- prazo, transporte, montagem e sequência de instalação cabem no cronograma da obra?
- há assistência, peças e orientação técnica coerentes com a criticidade da operação?
- a solução permite manutenção, ajuste ou expansão sem obrigar a refazer o conjunto?
Esse é o ponto em que uma rede de fabricantes deixa de ser argumento comercial e passa a produzir valor. O cliente ganha alternativas para comparar; a análise ganha informação técnica; e o projeto pode coordenar categorias que normalmente seriam compradas em momentos diferentes. Isso não elimina imprevistos, mas reduz decisões tomadas no escuro.
Da feira para o projeto
A APAS Show terminou em 21 de maio. A parte útil do trabalho começa depois: revisar contatos, aprofundar informações e aplicar o que faz sentido a cada loja. Nem toda novidade merece entrar em um projeto; nem todo equipamento conhecido continua sendo a melhor resposta quando mudam o espaço, o mix, o orçamento ou a forma de atendimento.
Para a Olivato, visitar a feira foi uma forma de manter o repertório conectado ao mercado sem abandonar o critério que orienta uma montagem responsável. Primeiro vêm a operação, as medidas, os fluxos e as prioridades. Depois, as soluções de refrigeração, exposição, armazenagem, movimentação, processamento e climatização são combinadas para servir ao conjunto.
Em uma loja nova, isso permite avaliar as famílias de equipamentos enquanto o layout ainda pode ser ajustado. Em uma ampliação, o foco muda: compatibilidade com estruturas existentes, capacidade adicional e continuidade da operação passam a pesar mais. A mesma solução que funciona em uma abertura pode ser inadequada quando precisa entrar em uma loja já em funcionamento.
Nas reformas, a sequência também é parte da especificação. Retirar, entregar, instalar e liberar setores na ordem errada pode prolongar a paralisação e criar retrabalho. Bons contatos com fabricantes não substituem o planejamento, mas ajudam a construir prazos e alternativas com informação mais próxima de quem produz e dá suporte ao equipamento.
| Está abrindo, ampliando ou reformando uma loja? Envie à Olivato as medidas aproximadas, fotos do imóvel, cidade, segmento, principais categorias e prazo desejado. Essas informações permitem iniciar uma análise dos equipamentos e dos pontos que ainda precisam ser confirmados. |
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